segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Limões na Madrugada - Carla M. Soares - Opinião - Cultura Editora



Sinopse: Ansiosa por regressar à Argentina, mas presa a Portugal, distante do homem que ama e da mulher com quem vive, Adriana está perante um dilema universal e intemporal: manter-se comodamente na ignorância ou desvendar o passado da família, como se de um caso policial se tratasse, enfrentando assim aquilo de que andou a fugir toda a vida, por mais doloroso que seja.
Num jogo magistralmente imaginado pela autora, entre a vida atual de Adriana e os ecos do Portugal antigo, machista e violento dos seus pais e avós, esta história, de uma família e dois continentes, é uma viagem entre o presente e o passado, uma ponte sobre o fosso cultural que separa as gerações, um tratado sobre tudo aquilo que a família pode fazer à vida de um só indivíduo.
Entre a sombra e a luz, deixando que por vezes os silêncios falem mais alto do que as palavras, Limões na Madrugada é um romance sobre o amor incomum, o poder da família e a necessidade da coragem.


Opinião: Sendo o primeiro livro que leio da escritora, parti com uma grande expectativa para esta leitura, e não me desiludiu, mistério, trama, romance, bons ingredientes que nos transportam entre Portugal e Argentina numa leitura super envolvente.
Limões na Madrugada conta-nos a história de Adriana, uma mulher a viver desde pequena na Argentina e que pouco sabe da família paterna, mas quando recebe uma carta da sua tia que faleceu a pedir para esta vir para Portugal e conhecer mais sobre a história da sua família, tudo muda e fantasmas do passado vêm para assombrar a sua vida.
Ao longo do livro, vamos viajando sobre a vida da Adriana na Argentina onde conhecemos mais sobre a personagem, a ligação que esta tem com os pais e sobre a sua vida amorosa e ao mesmo tempo vamos acompanhado o descobrir da família Branco em Portugal e todos os seus mistérios.
De capítulos curtos, e uma leitura rápida e super aliciante, vamos conhecendo os elementos da família Branco, num Portugal super tradicional onde a mulher era completamente submissa ao homem, e onde aquele antigo ditado super machista, naquela época se aplicava de forma bastante rigorosa (entre marido e mulher não se mete a colher). Adriana é confrontada com histórias que a deixam muito desconfortável sobre a sua família, e até aquele que pensava conhecer minimamente que era o seu pai, afinal não é quem pensava.
Um história de famílias, que nos faz viajar no tempo, uma homenagem ás mulheres lutadoras, que defendem os seus ideais e uma leitura sempre acompanhada pela memória do cheiros dos limões e todas as recordações que isso traz a cada um de nós.



Leitura com o apoio da Cultura Editora

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

A Coroa - Kiera Cass - Opinião - Marcador Editora



Sinopse: Em "A herdeira", o universo de "A Seleção" entrou numa nova era. Vinte anos se passaram desde que America Singer e o príncipe Maxon se apaixonaram, e a filha do casal é a primeira princesa a passar por sua própria Seleção. Eadlyn não acreditava que encontraria um companheiro entre os trinta e cinco pretendentes do concurso, muito menos o amor verdadeiro. Mas às vezes o coração prega peças… E agora Eadlyn precisa fazer uma escolha muito mais difícil — e importante — do que esperava.

Opinião: Toda a gente sabe que esta série tem capas deslumbrantes, o que acaba por ser um grande chamariz para todos estes livros. Os 3 primeiros livros foram rápidos de ler e viciantes, mas em relação aos últimos dois tenho que confessar que não me entusiasmaram tanto como os outros.
A Coroa, começa com uma grande eliminação de pretendentes de forma a estreitar a Selecção até à Elite, o que foi um pouco decepcionante pois ver todo o processo é a melhor parte da série. Ao longo do livro vamos acompanhando Eadlyn no seu crescimento e amadurecimento, e o foco acaba por ser mais sobre questões pessoais como governante e não sobre a própria Selecção, o que é a espinha dorsal desta série.
Penso que a escolha também acaba por não ser uma grande novidade, pois foram muitas as pistas para perceber que seria este o desfecho, tenho pena que vários pontos da trama foram introduzidos e resolvidos quase no fim do livro.
Em suma a Coroa não é um livro mau, apenas não me entusiasmou, valeu apenas para colocar o ponto final desta série, e revermos e acompanharmos alguns personagens que foram importantes nos livros anteriores.

Leitura com o apoio da Marcador Editora




terça-feira, 5 de dezembro de 2017

A Dica está mais cheia



Meu Deus este mês de Novembro foi a loucura o que vale é que foi tudo comprado em segunda mão e baratinhos, os únicos que foram oferecidos pelas editoras foi a Coroa e Limões na Madrugada.

Obrigada Marcador e Cultura Editora

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

A Rapariga no Gelo - Robert Bryndza - Opinião - Alma dos Livros



Sinopse: Quando um rapaz descobre o corpo de uma mulher debaixo de uma espessa camada de gelo num parque do sul de Londres, a inspetora-chefe Erika Foster é imediatamente chamada para liderar a investigação. A vítima, uma jovem bela e rica da alta sociedade londrina, parecia ter a vida perfeita. No entanto, quando Erika começa a investigar o seu passado, vislumbra uma relação entre aquele homicídio e a morte de três prostitutas, encontradas estranguladas, com as mãos amarradas, abandonadas nas águas geladas de outros lagos de Londres.
A sua última investigação deu para o torto, e agora Erika tem a carreira presa por um fio. Ao mesmo tempo que luta contra os seus demónios pessoais, enfrenta um assassino altamente mortífero e que se aproxima tanto mais dela quanto mais próxima ela está de expor ao mundo toda a verdade. Conseguirá Erika apanhar o assassino antes de ele escolher a próxima vítima?


Opinião: A Rapariga no Gelo, é uma história interessante e fácil de seguir, uma vítima é encontrada no gelo e acaba por se descobrir que provém de uma família muito poderosa o que vem dificultar o trabalho policial, uma vez que a investigação é ditada pela família. No entanto, quando semelhanças com assassinatos anteriores não resolvidos, a equipa percebe que estão a lidar com um assassino em série.
A nossa investigadora, Erika Foster, é uma personagem complexa, é impulsiva e constantemente despreza os seus superiores, sem pensar muito nas consequências. Erika é forte e tenaz mas a sua determinação em resolver o caso leva-a a ignorar os seus instintos e coloca-se em perigo.
Ao longo do livro, vamos tendo um pequeno vislumbre sobre os acontecimentos a partir da perspectiva do assassino, o que acrescenta uma grande dimensão e sensação de perigo à história.
Um outro aspecto interessante é a corrupção política e como esta é explorada por alguns dos intervenientes de forma a avançarem ou não caírem na sua carreira.
O estilo de escrita de Bryndza é detalhado, absorvendo-nos na história e na investigação. Existem grandes reviravoltas e alguns personagens muito suspeitos aumentam a escuridão da história e cresce a antecipação à medida que a tenção aumenta gradualmente.
O ritmo da história é muito bom, mantendo o interesse do leitor, sem dúvida que vou querer ler o segundo livro já publicado.










sábado, 25 de novembro de 2017

Memórias de uma Cortesã - Wray Delaney - Opinião - Quinta Essência



Sinopse: Uma odisseia sexual na cidade de Londres do século XVIII.
A jovem Tully chegou a ser a mulher mais desejada de Londres. Agora, todos disputam os melhores lugares para assistir à sua execução. Ela sabe que tem apenas uma hipótese de escapar à forca. Para tal, tem de conseguir contar a história da sua vida à única pessoa capaz de a salvar.
Nas catacumbas da prisão de Newgate, Tully aguarda... E escreve com a emoção de quem luta pela vida. Casada à força aos doze anos para saldar as dívidas de um pai alcoólico, consegue escapar apenas para ser despachada para o bordel mais sumptuoso da cidade, onde descobre a sua vocação como cortesã. Tully Truegood é órfã, cortesã e aprendiza de um feiticeiro. Será também assassina?
Pleno de erotismo e realismo mágico, Memórias de uma Cortesã é uma magnífica viagem ao submundo londrino do século XVIII.

Opinião: Memórias de uma cortesã, remete-nos para os meados do século 18, com toda a luz e escuridão de Inglaterra daqueles tempos, onde não existe tolerância para sensibilidade moderna, retratando em como era o papel da mulher naquela época e como quase todos os terrores e abusos são possíveis, por isso não é uma leitura que nos deixa indiferentes.
É um livro que se encontra no meio entre a ficção histórica e o romance e é erótico em detalhes.
A história começa com Tully na prisão a aguardar julgamento por assassinato, mas o exame médico revela que esta está grávida e por isso este é adiado até ao nascimento do seu filho, assim dá a Tully o tempo suficiente, para reflectir sobre a sua vida e como chegou até aqui. A história começa na infância de Tully e é contada na primeira pessoa, é o conto de uma jovem usada para os propósitos de outros que tenta sobreviver, quando não tem nada dela, dá alegria e força para aqueles que precisam dela, e mantém a cabeça erguida e luta por si mesma e pelos outros que esta cuida. 
A nossa protagonista, tem a capacidade de ver fantasmas que assombram as pessoas em seu redor, mas muitas vezes vão ser a salvação para o seu sucesso, envolvendo Tully em situações bastante complicadas.
O livro está cheio de sexualidade, algo com que a nossa narradora se sente bastante à vontade, mas somente quando sente carinho pelo seu parceiro, existe muita emoção no livro e realmente sentimo-nos parte da viagem de Tully. 
Memórias de uma Cortesã é intenso e cheio de significado, conta a história de uma jovem que poderia ser de horror, mas que mesmo assim é guiada por caminhos de luz e felicidade e com momentos de muito erotismo.


Leitura com o apoio da Editora Quinta Essência



segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Jogos Cruéis - Angela Marsons - Opinião - Quinta Essência



Sinopse: Quanto mais negro é o coração, mais mortífero é o jogo...
A inspetora detetive Kim Stone está de volta. Em causa está a morte macabra de um violador. À primeira vista, não é um caso complicado, pois tudo aponta para a vítima da violação. Mas, para a incansável detetive, há algo que não bate certo...
A sua intuição rapidamente prova estar certa. As mortes sucedem-se. Por detrás de todas elas, um só motivo: vingança. Kim tem pela frente um adversário admirável. Alguém que está a realizar fantasias letais. Um sociopata que parece conhecer intimamente as fraquezas da detetive. E que não planeia parar.
Kim percebe que se deixou enredar num perigoso jogo do rato e do gato... e que terá de descer ao inferno para solucionar este caso. E desta vez... é pessoal.
Angela Marsons, a estrela em ascensão do policial britânico, regressa com um romance que o vai fazer desconfiar de tudo e de todos...

Opinião: Já tinha gostado imenso do primeiro livro desta série, e este livro mais uma vez não desilude. Em Jogos Cruéis voltamos a ter contacto com a detective Stone, que conduz uma investigação perturbadora, esta consegue resgatar duas crianças de uma cave de um pedófilo e desde a primeira página o ritmo é emocionante e é mantido ao longo do livro através de reviravoltas emocionantes.
Quando um violador é encontrado morto de forma brutal, Stone e a sua equipa vão descobrindo cada vez mais eventos sinistros, no entanto as coisas vão avançando de forma muito lenta. Ao longo do livro temos também contacto com a psiquiatra Drª Alexandra Thorne, e é uma personagem muito bem construída e o seu envolvimento na trama trouxe elementos muitos fascinantes.
Em jogos cruéis vamos conhecendo mais factos sobre a história de Stone e como esta moldou a sua personalidade devido ao que passou e devido às suas experiências de infância a detective mostra uma grande empatia, em relação ás crianças que resgatou na adega. Nesta investigação Stone encontra-se numa batalha com um sociopata inteligente e muito perigoso, que se delicia com jogos muitos cruéis.
Esta é uma leitura muito viciante, com temas sombrios como o abuso, corrupção e exploração, mas o facto de encontrarmos também personagens de bom carácter é bom para equilibrar a história e tornar o enredo mais credível. A história e as numerosas revelações chocantes, fazem-nos questionar algumas coisas tal como se o mal e a sociopatia são determinados biologicamente ou ambientalmente, além disso a trama levanta a questão se é possível recuperar de trauma e abuso.
Em suma sem dúvida que aconselho esta série, é uma leitura frenética com bons ingredientes e com personagens muito interessantes, ansiosa pelo próximo.




Leitura com o apoio da Editora Quinta Essência.















quinta-feira, 26 de outubro de 2017

A Terceira Mulher - Lisa Jewell - Opinião - Topseller





Sinopse: Todos temos segredos, e os segredos têm consequências.
Adrian Wolfe tem duas ex-mulheres, cinco filhos e demasiada bagagem.
Mesmo assim, ele e a sua terceira mulher, Maya, vivem em harmonia com a sua extensa família? Até que Maya morre inesperadamente e sem explicação. Um ano depois, as circunstâncias bizarras da sua morte continuam a atormentar Adrian: terá sido mesmo acidente? Ou suicídio? Teria Maya razões para tirar a sua própria vida?
Tentando ultrapassar o luto, Adrian decide investigar e descobre segredos perturbadores que o levam a passar em revista a relação com as ex-mulheres e os filhos. De repente, a frágil bolha de felicidade que envolvia a sua esquizofrénica família rebenta. Nem tudo é o que parece com os Wolfes. E quanto mais defeitos Adrian descobre na sua vida aparentemente perfeita, mais ele se questiona: será que algo ou alguém levou Maya à beira do precipício?
Um romance intenso sobre famílias modernas, que o deixará completamente agarrado aos seus segredos.

Opinião: Maya é a terceira mulher de Adrian, e esta é introduzida no livro, enquanto bêbada anda às voltas nas ruas de Londres, se inicialmente os seus pensamentos eram cheios de luzes coloridas e risos, escurecem quando pensa em voltar para o seu marido, mas então acontece a tragédia e acaba por morrer atropelada.
Após a morte inesperada de sua terceira esposa, Maya, Adrian parece afundar-se em desgosto para a consternação de suas duas ex-esposas, Susie e Caroline, e seus cinco filhos. De forma a iniciar um novo começo, Adrian decide adotar o gato de Maya e quando  coloca um anúncio, uma mulher atraente chamada Jane responde. Pela primeira vez em meses, Adrian começa a sentir-se vivo, mas Jane desaparece de sua vida tão rápido quanto chega deixando apenas um telefone.
À medida que as semanas passam, Adrian tenta encontrar Jane e as suas suspeitas são despertadas quando o seu filho mais velho, Luke, encontra uma pasta no computador de Adrian cheio de correio de ódio dirigido a Maya. Sempre intrigado com a morte de Maya, Adrian fica consternado quando percebe que o conteúdo dos e-mails prova que o culpado era alguém na família ou perto dele. Quem quereria Maya morta?

Ao revelar os últimos meses de Maya, a escritora levanta lentamente as camadas desta família aparentemente perfeita e revela os fundamentos muito instáveis abaixo dos quais para mim é a parte mais interessante do romance. Enquanto a maior parte da narrativa é contada a partir do ponto de vista de Adrian, os parágrafos narrados pelos seus filhos de diferentes idades são os mais reveladores e aprendemos lentamente que Adrian tem se enganado sobre a harmonia dentro da sua família.
Quando todas as revelações surgem,  Adrian percebe que é o único que deve ser responsabilizado pela infelicidade e eventual morte de Maya. Resolvendo melhorar toda a situação, Adrian finalmente começa a ouvir os seus filhos e remendar as coisas com Caroline a sua segunda esposa, que agora acredita ser o amor de sua vida. Considerando a quantidade de dor que Adrian causou, acho que acaba por ter um final muito leve.
Embora o enredo seja complexo a Terceira Mulher é um livro fácil de ler, as personagens são interessantes e gosto como a escritora acaba por construir famílias aparentemente perfeitas, são lentamente reveladas como sendo o oposto.